Descolonização da Estética: Como a Beleza Negra no Brasil Está Rompendo Padrões Eurocêntricos

“Meu padrão é ser eu mesma, assim como você é o seu próprio padrão” – Jéssica Magalhães destaca a importância de resgatar a ancestralidade e romper com os padrões eurocêntricos na busca por uma estética inclusiva e valorizadora da diversidade.

A descolonização da estética é um tema emergente e vital na sociedade contemporânea. Com a ascensão dos movimentos de valorização das culturas ancestrais, especialmente em países com uma significativa população negra, como o Brasil, a discussão sobre padrões de beleza se torna cada vez mais relevante.

Historicamente, os ideais de beleza foram dominados por características eurocêntricas, relegando as características dos corpos negros a um lugar de invisibilidade e, muitas vezes, de desprezo. 

Estudos internacionais e brasileiros apontam uma persistente preferência por características associadas a padrões de beleza europeus. Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2020 destacou que a falta de representatividade de diferentes etnias em estudos e práticas de dermatologia perpetua desigualdades no tratamento de pele. 

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019 revelou que apenas 27% dos profissionais de estética e dermatologia têm treinamento específico para tratar pele negra. Estes dados evidenciam uma lacuna significativa na formação de profissionais e na adaptação de tratamentos que considerem a diversidade étnica.

Os desafios para a descolonização da estética não são apenas técnicos, mas também culturais e psicológicos. A mídia, ao perpetuar um padrão de beleza restrito e excludente, desempenha um papel crucial na formação da autoimagem das pessoas. A representatividade nas passarelas de moda, por exemplo, ainda é limitada. Um estudo de 2021 da Fashion Spot mostrou que apenas 32% dos modelos em grandes desfiles de moda internacional eram negros. 

Esta falta de visibilidade reforça a ideia de que a beleza está associada a traços europeus, impactando negativamente a autoestima e a percepção de valor estético das pessoas negras. No contexto da biomedicina estética, a descolonização é um processo complexo e repleto de desafios. 

Jéssica Magalhães, biomédica esteta especialista em pele negra, com mais 10 anos de experiência, destaca que a formação e o desenvolvimento de tratamentos geralmente não consideram os corpos negros. “Não só é perpetuado o conceito de beleza europeia, como sequer se fala sobre as características de outras etnias”, afirma. Para ela, atuar na estética permite combater séculos de preconceito, resgatando o conceito de beleza a partir do olhar negro e exaltando traços que foram historicamente marginalizados.

Jéssica observa que muitos dos seus pacientes buscam procedimentos estéticos para se aproximar de um padrão de beleza branco, muitas vezes sem perceber que essa busca é influenciada pela falta de representatividade e incentivo ao reconhecimento dos próprios traços como belos. “É reescrever o que é belo de acordo com a nossa ancestralidade, não a de outros povos. É reconstruir um conceito profundo e intimamente relacionado a mágoas e opressões. Só assim resgataremos a força de nossa identidade “, explica.

A mídia e a indústria da moda têm um papel fundamental na promoção da diversidade e na valorização da estética não colonizada. A predominância de imagens e propagandas que exaltam corpos não negros como o ideal de beleza impacta diretamente a autoimagem das pessoas negras, criando um sentimento de inadequação. Jéssica ressalta a importância de romper esse ciclo: “É isso que precisamos fazer, descolonizar nossos corpos e estética, e resgatar as características dos povos que foram trazidos e compõem nossa história”.

Os efeitos psicológicos e sociais dessa pressão para se adaptar a padrões estéticos eurocêntricos são profundos e devastadores. A biomédica relata casos de mulheres que enfrentam químicas agressivas para modificar seus cabelos, afinar seus narizes e clarear suas peles.

“A cada relato, é possível sentir a dor de ter sua imagem taxada de feia, inapropriada, inaceitável pela sociedade.E o mais triste é que eu consigo ver o quanto são lindas, só estão sofrendo porque ainda acreditam que precisam se aproximar de um padrão feito justamente para excluí-las”, conta. Para ela, a valorização da ancestralidade e a naturalidade dos resultados são princípios essenciais em sua prática clínica. “Meu padrão é ser eu mesma, assim como você é o seu próprio padrão”, conclui.

A descolonização da estética exige uma mudança estrutural e cultural profunda. A valorização dos traços naturais e a promoção de uma estética inclusiva e diversa são passos fundamentais nesse processo. Jéssica, com uma visão crítica, exemplifica como é possível caminhar na contramão dos padrões estabelecidos e construir um novo conceito de beleza, enraizado na diversidade e na valorização da ancestralidade.

“A valorização da ancestralidade é um dos princípios de minha prática clínica, juntamente com a naturalidade dos resultados. Não trabalho com transformações e sempre reafirmo em consulta. Não acredito nem vivencio o conceito arrogante de reduzir 8 bilhões de pessoas a um único modelo padrão. Meu padrão é ser eu mesma, assim como você é o seu próprio padrão. Ainda que utilize de procedimentos semelhantes, ações para reduzir rugas, flacidez, perda estrutural do tempo, cada procedimento será único porque você também é. É atraves do conhecimento profundo da estrutura e reação do corpo negro que consigo tratar o que é necessário, elevar autoestima e resgatar essa potência ancestral sem a escassez de beleza dos procedimentos de padronização”, finaliza Jéssica Magalhães.

Avon participa de debate no Potências Negras Summit sobre desigualdade racial nas empresas

Presidente da Avon Brasil, Daniel Silveira, é um dos líderes de grandes empresas que marcará presença no primeiro evento desse porte, dedicado ao desenvolvimento de pessoas negras para o mercado de trabalho no Brasil

No próximo dia 30 de março, Daniel Silveira, presidente da Avon Brasil, estará presente no Potências Negras Summit, evento online e gratuito, promovido pela Minuto Consultoria e a Escola Profissas, com o objetivo de estimular o empoderamento de pessoas negras e provocar discussões proativas sobre os temas: diversidade racial, carreiras, futuro do trabalho e representatividade.

No painel moderado por Ana Minuto, cocriadora do evento, Daniel abordará a jornada da companhia rumo à maior equidade racial, que originou o Compromisso Antirracista. Também serão destacados as ações e os programas em prol da Diversidade & Inclusão, liderados pela Rede Pela Diversidade da Avon no Brasil.

“Na Avon, acreditamos que a diversidade tem um papel fundamental no processo de transformação da sociedade e, por isso, é um assunto de imensa importância para o nosso negócio, fazendo parte da cultura da empresa. Nosso Compromisso Antirracista é uma de nossas ações para tornar a Avon tão diversa quanto o Brasil”, afirma Daniel Silveira.

Durante o evento, os inscritos também poderão conhecer a trajetória de Carolina Gomes, que além de Coordenadora de Planejamento de Comunicação da Avon Brasil, é líder da célula étnico-racial da Rede Pela Diversidade e uma das participantes da elaboração do Compromisso Antirracista da companhia.

A campanha #EssaÉMinhaCor também faz parte da programação do encontro. Foi divulgada pela Avon, em novembro do ano passado, para o lançamento de um estudo e de uma nova linha de maquiagem com cores desenvolvidas para todos os tons de pele brasileiros – considerada o primeiro passo rumo à maior representatividade da mulher negra na indústria de beleza.

O evento reunirá 10 horas de conteúdo gratuito e contará com palestras e painéis com executivos, profissionais e especialistas sobre o tema. A inscrição pode ser realizada no link https://potenciasnegras.com.br/, onde também é possível acessar a programação completa.

“É inegável que o racismo estrutural no Brasil precisa ser combatido. Para isso, é necessário conhecer a história, desde as suas bases até o topo, para compreender como isso se reflete na nossa sociedade e na construção da identidade de pessoas negras. Esperamos, com o evento, propor discussões propositivas sobre como formar potências negras e dar acesso a oportunidades reais à nossa comunidade”, destaca Ana Minuto, cocriadora do evento e mulher negra, com 25 anos de carreira dedicadas à inclusão racial.

Sobre a Avon

Avon, parte do grupo Natura &Co desde 2020, é uma das maiores empresas de venda direta no mundo. Fundada em 1886, trabalha pela elevação da autoestima, democratização da beleza e a promoção do empreendedorismo feminino. Desde 1958 no Brasil, concentra no país sua maior operação, com cerca de 1,3 milhão de pessoas na força de vendas. Avon é mais do que uma empresa de beleza: é um movimento global pela autonomia das mulheres, com um modelo de negócios ancorado na inovação, geração de oportunidades e na ampliação de suas habilidades empreendedoras, com o objetivo de fortalecer as economias e impactar positivamente a sociedade.

Seu portfólio diverso inclui produtos inovadores e de alta tecnologia, com marcas reconhecidas mundialmente como as linhas de maquiagem Avon e Color Trend, as linhas de cuidados Renew e Avon Care e os perfumes Far Away e 300km. Além disso, suas revistas também oferecem diversos itens para Moda & Casa.

Para obter mais informações sobre a Avon, visite o site: https://www.avon.com.br

Serviço: Potências Negras Summit
Data: Dia 30 de março, das 9h às 12h30 e das 14h30 às 20h30
Onde: Online e 100% gratuito
Inscrições e programação: https://potenciasnegras.com.br/

Prêmio Laureate Brasil apresenta palestra sobre Empreendedorismo social e a representatividade

“Saiba como empreender com quem já passou por isso na prática”. O convite é para a palestra desta quinta-feira, 24, ministrada pela empreendedora Geo Nunes. Premiada com o Laureate Jovens Empreendedores Sociais (2017), e homenageada com o Prêmio Internacional Here For Good (2018) – prêmio concedido pelo impacto positivo na sociedade, a designer baiana é a protagonista do evento Maratona do Empreendedorismo.

A empreendedora social é idealizadora do Amora Brinquedos Afirmativos, um negócio social com propósito de levar representatividade negra por meio de brinquedos e atividades lúdicas infantis. Atualmente, Geo se dedica a promover e fomentar o ecossistema de negócios de impacto social, atuante nas áreas de Design, Educação e Empreendedorismo Social.

Serviço: A Maratona do Empreendedorismo acontece nesta quinta-feira, 24, das 18h às 19h. Para participar, basta se inscrever, clicando aqui.

Sobre a Universidade Anhembi Morumbi

A Universidade Anhembi Morumbi é a primeira instituição internacional de ensino superior do Brasil. Desde 2005, faz parte da rede internacional de universidades Laureate, maior rede global de instituições de ensino superior, com mais de 850 mil estudantes matriculados em instituições nas modalidades presenciais e online.
São oferecidos programas de Graduação, Graduação Tecnológica e Pós-graduação Lato Sensu e Stricto Sensu, distribuídos nas áreas de Ciências da Saúde; Turismo e Hospitalidade; Negócios; Direito; Artes, Arquitetura, Design e Moda; Comunicação; Engenharia e Tecnologia e Educação. Seus oito câmpus estão localizados nas regiões da Avenida Paulista, Vila Olímpia, Mooca, Morumbi, Vale do Anhangabaú, São José dos Campos e Piracicaba.
A Universidade Anhembi Morumbi possui laboratórios de última geração e diferenciais como a internacionalidade, já tendo enviado, desde 2006, milhares de alunos do Brasil para realização de cursos no exterior, além de receber centenas de estudantes estrangeiros em seus câmpus, que se tornaram locais multiculturais para o aprendizado.
Outras vantagens: a titulação internacional, que permite ao estudante o acesso a certificação do Brasil e de uma instituição no exterior e o Anhembi Carreiras (http://carreiras.anhembi.br), um portal de empregabilidade da Universidade Anhembi Morumbi com serviços de preparação para o mercado de trabalho e conteúdos exclusivos para o desenvolvimento da trajetória profissional.

Sobre a Laureate Brasil

A Laureate Brasil, integrante da rede global líder em ensino superior Laureate International Universities, é formada por 11 instituições, em oito estados brasileiros, e cerca de 309 mil alunos e polos em diversos locais do país na modalidade de educação digital. Fazem parte do grupo mundial: Business School São Paulo (BSP); CEDEPE Business School; Complexo Educacional FMU/FIAM-FAAM; Centro Universitário IBMR; Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter); Centro Universitário FADERGS; Centro Universitário UniFG; Faculdade Internacional da Paraíba (FPB); Universidade Anhembi Morumbi (UAM); Universidade Potiguar (UnP); Universidade Salvador (UNIFACS); e EAD.br.

Sobre a Laureate International Universities

A Laureate International Universities é a maior rede global de instituições de ensino superior, com mais de 850 mil estudantes matriculados em instituições nas modalidades presenciais e online, em mais de 150 campi, com programas de graduação e pós-graduação (lato e stricto sensu) de qualidade e focados na empregabilidade dos estudantes, em uma ampla gama de áreas de conhecimento. A organização é a maior Empresa B Certificada® do mundo na área de educação e tem a missão Here for Good, que significa estar aqui para o bem e para sempre, pois acredita que quando os alunos obtêm sucesso, países prosperam e a sociedade é beneficiada. Saiba mais em: http://www.laureate.net