Mulheres vítimas de violência durante a quarentena ganham apoio da Turma do Bem e da Marisa

A rede de moda feminina irá doar 100% da venda de produtos para ONG, que tem um programa de reconstrução de arcada dentária de mulheres agredidas

Com a quarentena, o número de casos de violência doméstica contra a mulher vem aumentando. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, divulgou que a violência feminina cresceu 9% no Brasil desde o início do período de isolamento. Comprometida a ajudar essas mulheres, a Turma do Bem se uniu à Marisa para uma ação de recolhimento de fundos para que esse grupo não fique sem assistência. Por meio do projeto Apolônias do Bem, a ONG oferece tratamento odontológico integral e gratuito a mulheres que vivenciaram situações de violência e tiveram a dentição afetada durante as agressões.

A Marisa vai reverter 100% da renda obtida com a venda de uma série de produtos no seu canal on-line para o programa. Desde 2012, quando começou a ser desenvolvido, o Apolônias do Bem já garantiu atendimento de mais de mil mulheres em todo o Brasil. As beneficiárias são selecionadas por meio de triagens realizadas em casas de apoio ou encaminhamento por meio de parcerias com Comissões Especializadas de Tribunais de Justiça, como o de São Paulo e Espírito Santo, Santa Catarina e Minas Gerais.

Como as pessoas estão reclusas, o cenário de violência se agrava pelo fato de elas não poderem ser retiradas de casa. “A explosão no número de casos de violência contra a mulher já está ocorrendo, mas elas só vão nos procurar quando o período de isolamento terminar. Precisamos estar prontos para recebê-las e darmos todo o apoio necessário. Por isso, os recursos provenientes das doações da Marisa chegam em boa hora. Enfrentamos um período muito difícil de escassez de capital, o que impacta consideravelmente o atendimento a essas vítimas”, diz Fábio Bibancos, presidente voluntário da Turma do Bem.

Como elas são tratadas

Os tratamentos são oferecidos por meio de uma rede de dentistas voluntários, que realizam todos os procedimentos que as mulheres necessitam, independentemente da complexidade apresentada. Uma vez no programa, as Apolônias (como as beneficiárias são chamadas) e os profissionais que as atendem são acompanhados pelos funcionários da Turma do Bem até que os tratamentos se encerrem.

Sobre a Turma do Bem

A Turma do Bem (www.tdb.org.br) gerencia a maior rede de voluntariado especializado do mundo, com 17,3 mil dentistas atuando em 14 países. Oferece atendimento odontológico gratuito à população de baixa renda em condição de vulnerabilidade social e com graves problemas bucais, focando em dois públicos principais: jovens de 11 a 17 anos e mulheres vítimas de violência. Em 17 anos, impactou 74 mil jovens e mais de 1000 mulheres. Tem um modelo inovador de gestão, baseado no voluntariado e caracterizado pela fácil replicabilidade.

Sobre Fábio Bibancos

O fundador e presidente voluntário da TdB, Dr. Fábio Bibancos, é reconhecido internacionalmente como Empreendedor Social pela Schwab Foundation (www.schwabfoundation.org) e pela Ashoka (www.ashoka.org) por seu trabalho à frente da organização. Além disso, em 2011 a Turma do Bem foi laureada com o prêmio Saúde Oral, na categoria Solidariedade Social, devido ao trabalho desenvolvido em Portugal; em 2015 foi selecionada entre 1.400 organizações sociais de todo o mundo para integrar o primeiro portfólio da Epic Foundation de instituições que investem em alto impacto social; e em 2016 venceu o prêmio Visionaris, oferecido pelo banco suíço de investimento UBS, por suas inovações nas áreas de sustentabilidade e captação de recursos. Faz parte da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais e é apoiada pela Salesforce Foundation, pela ONU Mulheres e pela COMESP (Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário). Em 2018, ganhou o prêmio pela Fundación Mapfre de melhor ação social na Espanha.

Fonte: Circular Comunicação

Aplicativo PenhaS é a nova plataforma de diálogo, em todo Brasil no enfrentamento da violência

Ao terminar de ler esse texto ao menos cinco mulheres terão sido espancadas no Brasil. E se você pudesse ajudar a evitar? Para provocar a conscientização coletiva, a união entre as mulheres e a libertação dos relacionamentos abusivos, a ONG AzMina lança o PenhaS, um aplicativo de empoderamento da mulher que reúne, em uma mesma plataforma, o compartilhamento de informações, o diálogo em ambiente seguro e a participação da sociedade por meio da criação de um grupo de proteção.

“Há muito o que se fazer para acabar com o abuso contra as mulheres, em diversos âmbitos, e o PenhaS é uma das iniciativas para colaborar com a causa do enfrentamento da violência. Essa conexão é transformadora e o empoderamento que entendemos ser necessário é o de ajudar a promover a libertação das mulheres que estão subordinadas a uma situação de dependência, de violência e de opressão. Acreditamos que a pessoa ou grupo empoderado é o sujeito da própria mudança”, afirma a jornalista Marília Taufic, coordenadora voluntária do projeto da AzMina.

Como funciona o aplicativo?

O PenhaS, nome em referência à Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, é formado por três áreas. Uma deles é o EmpoderaPenha, espaço de conhecimento. Além de informações básicas sobre direitos das mulheres, o Empodera apresenta o mapa das delegacias da mulher de todo o Brasil (produzido em reportagem especial da Revista AzMina) e dos diferentes serviços de atendimento à mulher em situação de violência (compartilhado pela plataforma Mapa do Acolhimento), possibilitando traçar a rota até o local; e traz um feed de notícias sobre violência contra a mulher, com a colaboração de importantes agências de comunicação, como o Huffpost, JOTA, Agência Patrícia Galvão e Gênero de Número.


O DefendePenha é o chat secreto. Conversar é uma das formas mais poderosas de ajudar uma mulher a sair de uma situação de violência e, neste espaço, ela pode se conectar com outras mulheres, trocar informações sobre sua história e reunir forças para buscar saídas. Aqui as mulheres em perigo permanecem anônimas.

E o GritaPenha, que é o ambiente para o pedido de ajuda urgente. As mulheres cadastram o  número de até cinco pessoas de sua confiança, que serão acionadas por SMS quando for necessário. No momento exato da violência, também será possível ativar uma gravação de áudio que captará o som ambiente, criando a oportunidade de a vítima produzir provas e evitar o descrédito tão comum quando ela vai denunciar.

“O combate à violência contra mulher não é somente caso de polícia, mas dever de todos. Informação e formação de redes  de proteção podem ajudar mulheres a saírem de relacionamentos abusivos e incentivá-las a procurar ajuda” explica Carolina Oms, co-fundadora d’AzMina.

Todos os cadastros são realizados com checagem de CPF e verificação de número de celular para que não exista possibilidade da criação de perfis falsos e abusivos. Mulheres que estão sofrendo violência usam o aplicativo de maneira anônima. E a entrada é por meio de senhas com sistema de criptografia. O app também possui dispositivo de segurança para evitar que um abusador acesse o conteúdo.

Importância da participação de todas

O PenhaS vem sendo desenvolvido há pouco mais de dois anos, com a mentoria de especialistas no tema (como a promotora de Justiça Silvia Chakian, do Grupo de Enfrentamento a Violência Doméstica (GEVID) do Ministério Público de São Paulo) e de mulheres de diferentes idades e classe social que foram ouvidas durante todo o processo de elaboração do projeto.

“O enfrentamento da violência contra a mulher não se restringe apenas à questão do combate, mas compreende também as dimensões de prevenção, da assistência e da garantia de direitos das mulheres e o PenhaS se destaca por conseguir reunir todas essas frentes”, afirma Chakian.


O app foi lançado em 08 de março, Dia Internacional da Mulher, e está disponível nas versões Andoid e iOS. Quantas Penhas, Marias, Joanas, Luisas, Ritas continuarão sendo vítimas de uma sociedade que aprova a violência contra mulheres? Qualquer um pode ajudar a mudar os números, baixando o PenhaS e fazendo parte desta rede.

Baixe o app: www.azmina.com.br/penhas

Assista o vídeo com trechos das rodas de conversas:

Sobre AzMina

AzMina é uma instituição sem fins lucrativos cujo objetivo é usar a informação para combater os diversos tipos de violência que atingem mulheres brasileiras. Realiza campanhas, consultorias, palestras e debates para aprofundar a discussão sobre os direitos da mulher. A  Revista AzMina é uma publicação online e gratuita para mulheres de A a Z. Nela, há jornalismo investigativo acessível e de qualidade. https://azmina.com.br/sobre/quem-somos/

Fonte: Comuquise