Evento do MPT e parceiros, com a realização do Pacto Global, promove inclusão de negras e negros universitários no mercado formal de trabalho

Participantes terão acesso a vagas de trabalho, compartilhamento de currículos, além de oficinas, painéis e debates sobre o mercado de trabalho

Acontece nos dias 30 de setembro, 1 e 2 de outubro de 2020 o encontro virtual AFRO PRESENÇA, idealizado e coordenado pelo Ministério Público do Trabalho, e com realização do Pacto Global da ONU. O evento é voltado para a inclusão de jovens negros e negras universitários no mercado de trabalho e tem o apoio do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil.

Com o objetivo de promover a inclusão de jovens negras e negros universitários no mercado formal de trabalho, o encontro oferece aos participantes oficinas de recursos humanos e painéis com universidades, empresas, agências de publicidades e escritórios de advocacia, além de levar para a sociedade debates, com o apoio de entidades, organismos internacionais e nacionais, sobre o mercado de trabalho onde negras e negros precisam ser inseridos. Os participantes também terão acesso a vagas de trabalho e poderão compartilhar os seus currículos, que serão enviados às empresas. O Afro Presença será 100% online e gratuito.

A idealização do Afro Presença é fruto de um incômodo que surgiu no debate organizado pelo Ministério Público do Trabalho com movimentos sociais, empresas, sindicatos, universidades, entidades do poder público e membros sociedade civil. Constatou-se que negros ocupam uma parcela muito pequena de cargos estratégicos do mercado de trabalho e em cargos de liderança. Este encontro foi promovido pela doutora Valdirene Assis, Procuradora do Trabalho, Coordenadora da Coordigualdade do MPT-SP e o Projeto Nacional de Inclusão de Jovens Negras e Negros Universitários do MPT. Valdirene faz parte do Grupo de Enfrentamento ao Racismo do Conselho Nacional do Ministério Público e coordena o Grupo de Trabalho de Raça do MPT-SP.

De acordo com o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), as mulheres negras constituem o maior grupo populacional do país (25,3%), porém ocupam somente 0,4% dos altos cargos nas empresas. A população negra representa 55,9% de toda a população brasileira. Porém, uma pesquisa do Instituto Ethos, divulgada em 2016, mostrou que somente 4,7% dos cargos executivos das 500 maiores empresas brasileiras são ocupados por negros.

“O Brasil é o 8º país mais desigual do mundo e não conseguiremos reduzir esta desigualdade se não atacarmos diretamente o racismo estrutura. A Rede Brasil do Pacto Global da ONU iniciou um processo de mobilização do setor empresarial para que ações concretas sejam tomadas e mais negros assumam posições de liderança, ocupadas, hoje, majoritariamente por brancos. Os negros representam mais de 55% da população brasileira, mas ocupam menos de 5% dos cargos de liderança nas 500 maiores empresas do país”, diz Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global” diz Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nas universidades públicas, os jovens negros e negras já são maioria. Os dados do Censo de Educação Superior, do Ministério da Educação indicam que nos cursos de excelência há uma presença expressiva. Em medicina, por exemplo, os negros são em 27%. Na área de química, são 29%, e direito em 23%.

“A participação dos jovens negros e negras em cursos de excelência não reflete na participação no mercado de trabalho. Dessa forma, entendemos que os processos seletivos no campo profissional precisam ser revisitados. Todas as lógicas excludentes, de forma expressa ou implícita, precisam ser identificadas e eliminadas”, ressalta doutora Valdirene Assis.

As empresas apoiadoras da Afro presença são: Ambev, Anima, Basf, Bayer, Belgo, Bradesco, B2W, Coca Cola, Colgate, EF, Estácio, Google, Itaú, John Deere, JP Morgan, Natura, PWC, Santander, Somamos, TIM, TOTVS, Unilever, Vivo e White Martins.

São parceiros dessa ação os movimentos sociais Educafro, Geledés Instituto da Mulher Negra, Movimento Negro Unificado, Uneafro Brasil e Unegro. Também participam da iniciativa a 99jobs, Prefeitura de São Paulo, Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Black Influence, Empodera, Empregue Afro, Eureca, Fecap, Gestão Kairós, Grupo Cia de Talentos, Ideal H+K Strategies, Macho Meyer, OAB, PUC-SP, Revista Raça, Squid, Tribal Wordlwide, UFABC, UFBA, Y&R Brasil, entre outros.

Cronograma:

30/09
A programação englobará os temas de: racismo estrutural empresarial, universidade e inclusão, escolhe profissional e ferramentas de autoconhecimento, jornalismo, marketing, artes cênicas, educação física, relações internacionais, economia, farmácia, ciência, combate ao racismo no futebol, impacto da crise de COVID-19 para a população negra, letramento racial, entre outros.

01/10
A programação englobará os temas de: advocacia, turismo, moda, gastronomia, mercado de luxo, indústria química, telecomunicações, tecnologia, mitos e verdades em processos seletivos, religiosidade sob a perspectiva negra, como usar o LinkedIn, políticas de ações afirmativas, entre outros.

02/10
A programação englobará os temas de: saúde, expoentes negros na medicina, veterinária, engenharia e construção, arquitetura e urbanismo, agronegócio, meio ambiente, RH, indústria automobilística, igualdade de oportunidade e estratégias para combater o racismo institucional, LGBTQ+ sob a perspectiva negra e um show de encerramento.

O evento acontecerá entre às 9h e 21h nos três dias.

Para maiores informações acesse: http://www.afropresenca.com.br

Vidas Negras Importam

Mulheres na linha de frente das lutas sociais


Para aprender, entender , e,  principalmente , apoiar a comunidade negra, é preciso descobrir histórias inéditas. E nós temos uma , a da carioca Ana Paula Bernabé . Aos 45 anos,  moradora do bairro Pimenta (São Paulo), ela traz no corpo as cicatrizes de muitas chicotadas. Na própria carne, na memória, na alma, sabe o que são as dores dilacerantes sofridas pelos antepassados nas senzalas.

Mãe de três filhas, quando ela pensava que estava sob proteção dos racistas da nossa sociedade nas ruas, foi amarrada,  sofreu açoites, estupro, todos os tipos de violência física e moral  dentro do próprio lar.

Leonina, corajosa, desempregada nesse momento de pandemia, Ana Paula não desiste, se reinventa . Sem um companheiro, sem poder trabalhar como faxineira (não pode entrar nos lares) , lava carros para pagar as contas, ajudar filhas e netos. No final do dia, cansada, tem um momento de alento  na companhia de uma de suas paixões: os livros.

Qual sonho da Ana no momento? Conseguir comprar uma cadeira de rodas para a neta de seis anos que não pode andar por ser portadora de microcefalia (malformação congênita em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada).

A luta da carioca apaixonada por samba que deseja correr a São Silvestre, parece história de cinema. Agora, ela vai tentar vencer mais um de tantos obstáculos enfrentados em sua vida. Mesmo sabendo da crise no setor audiovisual, a mulher batalhadora que tem orgulho de sua cor, apesar de tudo o que já sofreu, quer ser dublê . E ela já iniciou as aulas de boxe seguindo o protocolo para evitar contaminação do novo coronavírus . Ela coloca máscara descartável, usa  álcool em gel , protetor facial e segue para o treinamento sob o comando do diretor do Centro de Treinamento de Dublês e Atores , o ator e produtor Bruno Santana .  Ambos, estão sob a supervisão atenta de uma técnica de enfermagem . 

Depoimento :

Gostaria de ver a história de Ana Paula Bernabé ter um final feliz.

Conto com você para a pauta?

Sugerimos  porque 61% das vítimas de feminicídio são negras.

62% os mais vulneráveis à morte por covid-19

10% dos escritores negros tem suas histórias publicadas por grandes editores.

2,5 vezes mais afetados por homicídios são negros

5% estão nos cargos de liderança das maiores empresas do país

60% dos jovens pretos cometem suicídio

4% parlamentares

18% magistrados

16% professores universitários

Obs. Números recentes, porém sujeitos a alterações nas estatísticas.

Como o racismo se constitui como elemento fundamental para a definição de quais são os corpos que se pode matar ou deixados para morrer

Recentemente ganhou repercussão mundial o assassinato de um negro por um policial branco que o estrangulou com seu joelho por mais de 9 minutos e o matou por asfixia, mesmo sem nenhuma reação do rapaz detido, e do mesmo permanecer esse tempo suplicando para poder respirar.

O psicólogo e psicanalista Ronaldo Coelho, da capital paulista, explica que o racismo nos constitui de maneira inconsciente na medida em que não reconhecemos que concebemos, silenciosamente, que a vida dos brancos importam, e a dos negros não. Para o especialista, há uma tendência a banalizar e naturalizar o mal que tem como alvo a população negra.

A Necropolítica é uma tecnologia do poder analisada pelo cientista político Achille Mbembe. Ela implica numa gestão da morte como estratégia política de governo na qual setores da sociedade recebem o mínimo de todas as políticas de renda, seguridade social, infraestrutura sanitária e transportes para que sejam mantidas propositalmente num limiar muito tênue entre a vida e a morte. Adicionado a isso, as instituições jurídicas e penais ocupam um lugar decisivo para fazer morrer sem grande esforço (e sem que seus agentes sejam responsabilizados e punidos) pessoas provenientes desses setores. Para o exercício da necropolítica o racismo é peça chave.

“O racismo internalizado, que acontece silenciosamente dentro de cada um, faz com que naturalizemos o estado de miséria de negros, ou mesmo do extermínio da população negra e pobre pela polícia. De certo modo, a polícia tem autorização para matar essa população porque a retirada de suas vidas não nos comove tanto como poderia nos tocar o assassinato de um jovem branco do Jardins pela mesma polícia”, afirma o especialista.

O movimento #blacklivesmatter ou #vidasnegrasimportam vem na direção de denunciar essa produção do racismo aliada a uma necropolítica como gestão de estado. “Vale lembrar que para um governo que aposte na necropolítica a COVID19 não é um problema, mas sim uma oportunidade para o extermínio das populações mais vulneráveis”, encerra Ronaldo.

Primeira escola de inglês gratuita para negros está com as inscrições abertas

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Para se inscrever, os candidatos devem estar cursando qualquer graduação e estar em São Paulo entre janeiro e fevereiro. As vagas são limitadas: http://www.99jobs.com/99jobs/jobs/67682?preview=true
Com a missão de aumentar a diversidade dentro das empresas a partir dos processos seletivos, a 99jobs criou a primeira escola de inglês exclusiva para negros e focada no mercado de trabalho.

De acordo com levantamento feito pela empresa de recrutamento com 55 empresas e envolvendo cerca de 400 mil candidaturas, a maior parte dos candidatos declarados negros são eliminados de processos de vagas por causa da nota no teste de inglês.

Até nos programas de estágio e trainee da HRtech, menos de 3% dos candidatos negros afirmaram ter inglês avançado ou fluente.

Para melhorar a inclusão e aumentar a competitividade desse público, a empresa criou uma academia gratuita com 35 vagas. E também serão oferecidos vale transporte e lanches para os alunos.

“Ao mesmo tempo em que as organizações buscam inclusão e diversidade em seus processos, não conseguem abrir mão do domínio mínimo do idioma na rotina dos colaboradores. A escola surge com o intuito de diminuir essa distância entre os candidatos negros e as grandes empresas. A proposta é que eles aprendam a língua estrangeira juntos, se sentindo mais à vontade em um ambiente onde não se sintam excluídos e, depois que estiverem empoderados, consigam fazer parte e aprender em pé de igualdade com qualquer outro candidato nessa etapa do processo seletivo”, explica Du Migliano, CEO da 99jobs.

As aulas presenciais vão ocorrer a partir do dia 6 de janeiro até dia 6 de fevereiro, de segunda à quinta-feira e das 19h até as 22h. O curso intensivo ocorre no WeWork da Avenida Paulista, em São Paulo.

Para participar, é necessário que os candidatos possam estar presencialmente em São Paulo no período. O outro pré-requisito é ser um potencial candidato para programas de estágio e trainee, estando matriculado em qualquer curso de graduação.

Confira mais informações sobre a inscrição aqui: http://www.99jobs.com/99jobs/jobs/67682?preview=true

Além de aprender a língua estrangeira, um diferencial do curso será a estrutura em módulos que discutem o empoderamento de negros na sociedade e mercado de trabalho. O professor será Bismark Kwaku Sarfo, que já deu aulas em empresas como o Hospital Albert Einstein e a Estação Hack do Facebook. Para criar a escola, a 99Jobs teve apoio da Natura.
Fonte: C3COM