Como o racismo se constitui como elemento fundamental para a definição de quais são os corpos que se pode matar ou deixados para morrer

Recentemente ganhou repercussão mundial o assassinato de um negro por um policial branco que o estrangulou com seu joelho por mais de 9 minutos e o matou por asfixia, mesmo sem nenhuma reação do rapaz detido, e do mesmo permanecer esse tempo suplicando para poder respirar.

O psicólogo e psicanalista Ronaldo Coelho, da capital paulista, explica que o racismo nos constitui de maneira inconsciente na medida em que não reconhecemos que concebemos, silenciosamente, que a vida dos brancos importam, e a dos negros não. Para o especialista, há uma tendência a banalizar e naturalizar o mal que tem como alvo a população negra.

A Necropolítica é uma tecnologia do poder analisada pelo cientista político Achille Mbembe. Ela implica numa gestão da morte como estratégia política de governo na qual setores da sociedade recebem o mínimo de todas as políticas de renda, seguridade social, infraestrutura sanitária e transportes para que sejam mantidas propositalmente num limiar muito tênue entre a vida e a morte. Adicionado a isso, as instituições jurídicas e penais ocupam um lugar decisivo para fazer morrer sem grande esforço (e sem que seus agentes sejam responsabilizados e punidos) pessoas provenientes desses setores. Para o exercício da necropolítica o racismo é peça chave.

“O racismo internalizado, que acontece silenciosamente dentro de cada um, faz com que naturalizemos o estado de miséria de negros, ou mesmo do extermínio da população negra e pobre pela polícia. De certo modo, a polícia tem autorização para matar essa população porque a retirada de suas vidas não nos comove tanto como poderia nos tocar o assassinato de um jovem branco do Jardins pela mesma polícia”, afirma o especialista.

O movimento #blacklivesmatter ou #vidasnegrasimportam vem na direção de denunciar essa produção do racismo aliada a uma necropolítica como gestão de estado. “Vale lembrar que para um governo que aposte na necropolítica a COVID19 não é um problema, mas sim uma oportunidade para o extermínio das populações mais vulneráveis”, encerra Ronaldo.

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Autor:

Negra, mãe e candanga. Graduanda de Comunicação Social, na área de Publicidade. Digital influencer de Brasília e engajadora de causas raciais. Moradora de Taguatinga/DF (Areal) e pronta para ajudar.

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